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29 de abril de 2019

Time da UnB chega à final de competição internacional de programação

Três estudantes e quatro professores levaram o nome da universidade à competição mundial

postado em 28/04/2019 08:00 / atualizado em 27/04/2019 20:50

 Brenda Silva* /* Mariana Machado – Especial para o Correio

Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press

Pela primeira vez, a Universidade de Brasília (UnB) chegou à final da maior competição de programação para universitários do mundo, o International Collegiate Programming Contest (ICPC), que ocorreu em março, na cidade de Porto, em Portugal. Cerca de 16 mil times de 3 mil universidades do mundo inteiro se inscreveram e apenas 135 foram selecionados para a final, sendo cinco grupos brasileiros na disputa que é a Copa do Mundo da programação. A equipe brasiliense voltou para casa com a 57ª posição e, apesar de não conseguir as primeiras colocações, os integrantes estão orgulhosos do resultado inédito.

Os estudantes Rafael Lourenço de Lima, 19 anos, José Marcos Silva, 22, e Luís Felipe Braga, 20, comemoram terem ficado à frente de grandes nomes nacionais, como a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), e internacionais, como Princeton, uma das maiores instituições de ensino superior dos Estados Unidos. O trio foi o segundo colocado da América Latina, atrás apenas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O treinamento foi dado pelos professores Vinícius Borges e Guilherme Novaes, além dos ex-alunos Pedro Henrique Ferreira e Matheus Pimenta.
No dia da disputa, eles tiveram cinco horas para resolver 12 questões. Para cada uma, os estudantes desenvolvem programas de computador que solucionam os problemas apresentados. Nas provas finais, devem encontrar e enviar respostas no menor tempo possível. O primeiro critério de classificação é o número de acertos e o segundo, a velocidade, ou seja, aqueles que resolvem mais questões em menos tempo lideram a competição. De modo geral, os alunos transformam lógica em códigos compreensíveis a um computador para que ele elimine o problema.
Prestes a se formar em engenharia da computação, Rafael Lourenço recorda a dificuldade da prova. “A última questão foi a mais desafiadora. Resolvemos cinco faltando sete minutos para acabar. Nenhuma equipe solucionou todas. É como um vestibular, não é feito para responder 100%”, compara. O caçula da equipe ingressou no ensino superior aos 15 anos, empolgado depois de participar da Olimpíada Brasileira de Informática. “A área da programação competitiva é muito boa para formar bases de conhecimento e para a nossa formação”, afirmou Rafael.

A caminhada

Em 2018, a primeira eliminatória dos grupos ocorreu na UnB e a segunda selecionou os competidores que representariam a região Centro-Oeste. A Maratona de Programação é a final sul-americana, promovida pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), responsável por classificar cinco times para disputar a ICPC 2019. “Ficamos eufóricos quando passamos para a final mundial”, relembra Luís Felipe, que está no 7º semestre de ciência da computação.
Ele quer ir novamente no ano que vem. “É legal ver gente do mundo todo que gosta de programar”, comenta. Assim como Rafael, ele também está decidindo o que fará depois da graduação. “Vou terminar a faculdade no ano que vem. Tenho que pesquisar sobre outras áreas da computação para decidir se vou para o mercado de trabalho ou a área acadêmica, mas devo continuar participando de competições de programação on-line”, avalia.
Para chegar ao evento acirrado, o grupo teve anos de treinamento. Inicialmente, os alunos participam de uma disciplina ofertada pela UnB que apresenta desafios similares aos das maratonas competitivas. Aqueles com interesse em avançar na programação começam a estudar por conta própria e desenvolvem o hábito de praticar por provas on-line e com o direcionamento de professores e alunos mais experientes. O professor Guilherme diz que a ferramenta é importante no treinamento: “Depois de terminar a prova, é oferecido um modelo de resposta e o caminho para chegar; isso serve para o aluno aprender o que não conseguiu resolver antes”.
José Marcos é o mais antigo do trio. Ele está no 9º semestre de ciências da computação e conta que levou quatro anos treinando e aperfeiçoando as habilidades que o levaram a Porto. A dedicação já mostra resultados: pouco antes do ICPC, recebeu uma proposta de estágio em uma empresa de jogos e agora mora em São Paulo, de onde vai concluir, a distância, a graduação na UnB. Ele reforça a importância do projeto no meio acadêmico. “A programação ajuda o aluno nas matérias ao longo do curso, e a taxa de pessoas que passam nas disciplinas aumenta.”
O professor do Departamento de Ciência da Computação e coordenador do curso de engenharia mecatrônica da UnB, Guilherme Novaes, acompanha as equipes participantes desde 2012. Ele afirma que um dos efeitos positivos da competição é a divulgação do nome da universidade como ensino público, gratuito e de qualidade. “É muito difícil conseguir chegar à final, e é uma satisfação ver o esforço e o resultado do time”, relata. Até então, o mais longe que a instituição havia chegado era a etapa de eliminatórias da América Latina.
* Estagiária sob supervisão de Ana Sá

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